Prisma das letras

Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento. Provérbios 3:13

Textos

Há algumas semanas não tenho tempo nem inspiração para escrever. Nesse momento, às sete horas da manhã, sentado à mesa de uma padaria, aguardando meu café ficar pronto pra tomar, resolvi desembuchar algum resquício de ideia.

Não que os lampejos não ocorram, mas no máximo anoto pequenos traços de ideias que vêm à mente. Porém, não consigo avançar nos escritos.
 
Por que será que às vezes as ideias se escondem, os pensamentos não fluem, as palavras fogem e só resta a inquietação pela falta de inspiração sobre o que escrever?

Já li que o ato de escrever é muito mais transpiração que inspiração. Talvez seja mesmo, afinal, nesse instante, insisto em resistir à ausência de criatividade, de ideias, e tento preencher no papel esse deserto de inspiração.
 
Luto, reluto, insisto, afinal ainda sonho tornar-me, pelo menos, um escritor de quarta, quinta, sei lá, última categoria, para expressar minhas ideias ao mundo. Acredito no resultado do esforço, da dedicação, da disciplina. Na minha vida sempre foi assim, e nesse novo horizonte não seria diferente.

Sobre o que poderia escrever? Sobre a violência no trânsito, que mata mais de 40.000 (quarenta mil) pessoas por ano no Brasil. Há alguns dias ainda, o filho de um bilionário matou um ciclista. Inocente ou culpado? Só Deus sabe, os fatos nem sempre são conhecidos de forma precisa para que se tenha conclusão.
 
Poderia escrever sobre a entrevista do Romário à revista Veja há poucas semanas, em que ele detonou os artistas do circo em Brasília (sempre me refiro aos políticos como artistas, e nós, os palhaços do circo). Alguns artistas sentiram a carapuça e não gostaram do que Romário disse. Fico com a opinião do baixinho.

Poderia escrever a respeito de mais um escândalo de corrupção noticiado na mídia, ocorrido no Rio de Janeiro, envolvendo desvio de dinheiro público da saúde dos brasileiros para o bolso dos gatunos.
 
Poderia escrever sobre a briga entre os vampiros da fé – o bispo e apóstolo, brigando pela busca de incautos para o reino do evangelho da prosperidade deles - do bispo e do apóstolo.

Poderia escrever sobre a tirania da felicidade – assim definida por Luís Felipe Pondé, numa palestra proferida em um evento cristão. Felicidade a qualquer custo, desde que meus desejos egoístas insaciáveis sejam realizados.
 
Poderia escrever sobre a crise do “pensar coletivo” na sociedade individualista da pós-modernidade - ideia vinda à tona depois de uma aula de Antropologia.

Poderia escrever sobre ter ouvido, depois de muitos anos, uma senhora, com expressão de professora, num supermercado fazendo compras, cantando alegremente versos do nosso hino à independência (isso existe?!): “Já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil”, aposto que nas escolas de hoje nem se fala mais disso – civismo.

Enfim, parece que assunto não falta pra escrever. Talvez esteja faltando tempo mesmo, ou as ideias nos traem e se ocultam. Sobrou-me algum tempo nesse instante, misturado a um lampejo de miniatura de ideias.



Juscelino Nery
Enviado por Juscelino Nery em 12/04/2012
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