Prisma das letras

Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento. Provérbios 3:13

Textos

Lendo a Heloísa Seixas, em “O prazer de ler”, tive que reconhecer quão grande é o meu prazer em entrar e estar em livrarias, bibliotecas, enfim, perto ou junto de livros.
 
A autora menciona o escritor Ruy Castro, que declarou sua sensação de estar dentro de uma livraria: nada de mal pode-lhe acontecer, está cercado de amor.
 
Heloísa diz que Ruy dá uma explicação pra isso¹: “as pessoas que se envolvem com livros – escritores, editores, livreiros, compradores – são, em 90% dos casos, apaixonados por leitura. Donde os livros transpiram amor”.
 
E segue a escritora tecendo seus comentários sobre a teoria do Ruy Castro e acrescentando suas impressões em estar numa livraria.  Fala do aconchego das livrarias, etc, etc.; e conclui concordando com o Ruy: a livraria é um lugar de amor.
 
Eu, modestamente, e talvez até poeticamente, acrescentaria às opiniões dos eminentes escritores mencionados: livrarias e bibliotecas são um pedaço do céu na Terra.

No contexto dessa ideia, a obra  "No mundo dos livros", de José Mindlin - um leitor impenitente, inveterado, como ele mesmo se autodenomina, é outra fonte de relatos sobre o convívio e paixão por livros, pela leitura, e por conseguinte, claro, o prazer em estar em livrarias e bibliotecas.

Mindlin conta várias de suas aventuras nessa estrada: do começo de sua biblioteca, dicas de leitura que o seduziram, e a emoção de encontrar uma obra procurada durante anos. 

Conta ele
²: "o coração bate mais forte, e o prazer de encontrá-la, ou de descobrir obras que despertam de imediato interesse, pode ser, creio eu, até maior do que o de ter o livro na biblioteca. Quase que vale mais a procura do que o encontro, você sabe?"

Ele conta também, a exemplo da Heloísa, quando conheceu uma livraria centenária de Londres, a Maggs Brothers, onde os clientes eram recebidos numa sala junto à entrada, e de toda a reverência do local, no trato com as obras ali dispostas.

Por incrível que pareça, aprendi com esse autor o que é Bibliofilia - amor aos livros; e portanto, assumo-me, um bibliófilo. E claro, como todo apaixonado por livros é um louco, Midlin chamou seu envolvimento com os livros de "loucura mansa".

 
Mas voltando às livrarias. Lá entro e não tenho pressa de sair. Quem me conhece sabe que é difícil, pra mim, resistir passar por uma livraria sem adentrar o recinto. É uma comichão. Uma obsessão. Uma mania, uma loucura mesmo, como consideram o José Midlin e outros amantes dos livros.
 
Quando entro, dificilmente saio de mãos abanando. Tenho que comprar livros. Nem que seja um pequenino, fininho, como o que comprei há alguns dias, da Heloísa Seixas, o qual devorei num dia e me incitou a escrever esse modesto texto.
 
E ainda fiquei feliz e esperançoso ao saber que a nobre escritora, como ela mesma confessa,  começou "a escrever tardiamente, beirando os 40 anos, e achando no início que estava tendo um surto, coisa passageira".
 
Eu já passei dos 40, quase chegando aos 50, mas sinto que despertei para a prática da escrita. Já disse em outro texto que sempre gostei de ler, desde muito cedo.
 
Mas na luta pela sobrevivência, escolher carreira, arranjar emprego, não cheguei a pensar em exercitar um pouco mais a leitura e a escrita. As leituras eram direcionadas às técnicas relacionadas ao diploma escolhido, concursos.

Mas agora vivo uma nova fase na vida: ler por puro prazer, entretenimento, satisfação pessoal. É extasiante, incitante, libertador, difícil ficar sem ler. Esse vírus me pegou, como diz a Heloísa.

 
E agora, suspeito ter contraído outro vírus – escrever. Como diz o ditado: antes tarde do que nunca. Apaixonar-se é sempre bom. Acho que me apaixonei de vez, quase chegando aos 50 anos, por duas namoradas – a leitura e a escrita. Isso é perigoso. Mas nessa arte é permitida a bigamia, as amantes não vão ficar zangadas por dividir o seu amor.

Aliás, a leitura e a escrita são tão importantes para a humanidade, que até mesmo Deus escreveu nas tábuas dos dez mandamentos ao povo de Israel, e deixou a Bíblia Sagrada como fonte de sabedoria e conhecimento aos que assim o desejarem, e crerem, claro.
 
Fiquei, ainda, emocionado com o relato da escritora sobre sua visita à biblioteca de Salamanca, na Espanha. Pareci um bobo imaginando as cenas descritas pela Heloísa. Uma sensação de verdadeira paixão pelos livros. Uma espécie de reverência ao sagrado.
 
Coisas de quem gosta de livros, leitura, e de quem começa a se aventurar pelo mundo da escrita – uma dura, mas prazerosa jornada.

1- Seixas, Heloísa. O prazer de ler. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2011.
2- Mindlin, José. No mundo dos livros. Rio de janeiro: Agir, 2009.

 
 
Juscelino Nery
Enviado por Juscelino Nery em 16/02/2012


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